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770, RUA DA VIGOROSA, PORTO
DOMINGUEZ ALVAREZ
19 Maio 2006 a 15 Outubro 2006
SEDE, Galeria de Exposições Temporárias, Piso 01
Comissariado: Ana Vasconcelos e Melo e Emília Ferreira

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Dominguez Alvarez, Auto-retrato, n.dat. Click nas imagens para ampliar
 
Temporárias
 
 
 
   
   
 
   

DOMINGUEZ ALVAREZ
770, RUA DA VIGOROSA, PORTO

Assinalando o centenário do nascimento do pintor Dominguez Alvarez (Porto, 1906-1942), esta exposição do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, comissariada por Ana Vasconcelos e Melo e Emília Ferreira, propõe uma revisitação à obra de um dos mais fascinantes e inquietantes pintores do chamado ‘segundo modernismo’ português. Reunindo um conjunto de cerca de duas centenas de obras, entre pintura e desenho, expõe vários inéditos, incluindo quatro álbuns de desenhos e pinturas sobre papel, de pequeno formato, realizados durante as suas viagens pelo norte de Portugal e Espanha.

Filho de pais galegos, José Cândido Dominguez Alvarez é um artista particularmente bem representado na colecção do CAM, com 39 obras entre pintura e desenho, e que tem tido lugar obrigatório nos vários percursos expositivos sobre a arte portuguesa ao longo dos séculos XX e XXI. Membro fundador do grupo ‘+Além’, que reuniu no Porto, em Abril de 1929, um conjunto de vozes ‘modernas’ entre arquitectos e pintores, sintonizado na oposição às homenagens póstumas a Marques de Oliveira, Alvarez é um dos subscritores do manifesto intitulado ‘Em Defesa da Arte’, no qual se afirmava que a arte não deve apenas evidenciar um saber fazer, mas ‘qualquer coisa que grita, que nos contorce e nos abre a sensibilidade’.
O demasiado curto percurso artístico de Alvarez – coincidente com catorze anos de formação académica, intercalados com viagens a Espanha e períodos de doença, vindo a morrer tuberculoso, aos trinta e seis anos de idade – foi contudo fértil em produção, tendo o artista deixado várias centenas de obras.

Paisagista por imaginação e vocação (definindo-se euforicamente como ‘o maior paisagista da Península’), sintetizando e reinventando cenários a partir do natural visitado nas suas deambulações ibéricas, ele perseguirá como motivos as paisagens urbanas e rurais do Porto, Minho, Galiza e Castela, cenas de um muito particular quotidiano, com figuras masculinas negras e tortas, as admiráveis figuras à chuva, retratos de personagens vistas em primeiro plano sobre paisagens fundeiras e as majestosas torres das catedrais espanholas de Segóvia e, sobretudo, de Santiago de Compostela. Mantendo uma linguagem própria, por vezes bastante sincrética, nas citações ou, talvez melhor, nas intuições, de tom expressionista e surrealista, Alvarez tornar-se-á clássico, não apenas no sólido conhecimento que demonstra em relação aos materiais e às soluções plásticas adoptadas, mas também na recorrência ao tratamento de um número reduzido de temas, num entusiasmo, numa entrega à ‘pintura pela pintura‘. E, curiosamente, o subscritor do manifesto modernista portuense, gradua-se em 1940, com vinte valores, pela mesma escola em que o velho mestre Marques de Oliveira deixara bem impressa a sua apetecência por temas e expressões tão caros ao tardo-naturalismo.

Encontramos em Alvarez esta mistura, aparentemente não conflituosa e até mesmo simultânea (sobretudo verificada a partir de 1932, ano em que parecem ter surgido as primeiras experiências mais detalhistas, quase fotográficas), de expressões plásticas, servidas por um arrojado sentido do desenho, com notáveis sínteses formais e cromáticas, a partir de matrizes visuais que em outras obras suas se mantêm fiéis a uma aparentemente tranquila representação naturalista.
A par da sua actividade como pintor e fruto das suas viagens por Espanha, Alvarez especializa-se em pintura espanhola, confessando-se admirador de Zuloaga, ‘um barroco herdeiro de Greco e que interpreta os temas ásperos da Espanha feudal e histórica’, de Dario de Regoios, pintor basco-asturiano ‘iniciador da pintura de paisagem em Espanha’, e de Gutierrez Solana, ‘o pintor áspero e sombrio, de luzes sinistras’. Este seu interesse, um pouco nacionalista, visto que se apresentava como ‘pintor oriundo de Pontevedra, residente no Porto’, leva-o ainda a conceber uma exposição de pintura galega, que seria integrada na ‘Semana da Cultura Galega’ realizada no Porto, no Outono de 1935, e que não se chega a realizar para seu grande desânimo.

Esta nova apresentação em Lisboa da obra de Dominguez Alvarez (a última data de 1987, na Galeria Almada Negreiros, da então Secretaria de Estado da Cultura), propõe um reencontro com um artista com um corpus iconográfico já estabelecido mas cujo estudo permanece ainda em aberto. O catálogo conta com diversos textos de investigadores, em que se inclui uma análise sobre a sua obra assinada por António Trinidad Muñoz, autor de uma tese de doutoramento sobre Alvarez defendida em Espanha, e uma abordagem aos aspectos materiais e técnicos da sua produção artística.

A exposição estará patente de 19 de Maio a 15 de Outubro de 2006, na galeria do piso 01 da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


INICIATIVAS EDUCATIVAS

Visitas

ADULTOS - Visitas Gerais
por Ana Vasconcelos e Melo, Emília Ferreira (Comissárias) e Ana Sá-Fernandes (Conservadora-restauradora)
21 Maio (Dom) 12:00
15 Outubro (Dom) 12:00
[Não requer marcação prévia]

ADULTOS - Visitas Gerais
por Hilda Frias
10 Junho (Sáb) 15:00
8 Julho (Sáb) 15:00
30 Setembro (Sáb) 15:00
[Não requer marcação prévia]

ADULTOS - Visita Temática
Alvarez no seu atelier, por Ana Sá-Fernandes
1 Julho (Sáb) 15:00
[Não requer marcação prévia]

GRUPOS ORGANIZADOS - Visitas Gerais
por Hilda Frias
realizam-se mediante marcação prévia
[Marcações tel. 21 782 3620]

Oficinas

CRIANÇAS - Oficinas
Dentro de uma Pintura!
por Cristina Gameiro e Mário Rainha Campos
20 Maio (Sáb) 15:30
24 Junho (Sáb) 15:30
23 Setembro (Sáb) 15:30
14 Outubro (Sáb) 15:30
[Marcações tel. 21 782 3477]

CRIANÇAS - Oficinas de Verão
Cinco dias dentro de uma Pintura!
por Cristina Gameiro e Mário Rainha Campos

3 a 7 Julho (Seg-Sex)
31 Julho a 4 Agosto (Seg-Sex)
4 a 8 Setembro (Seg-Sex)
[Marcações tel. 21 782 3477]

FAMÍLIAS - Oficinas
Dentro de uma Pintura!
por Cristina Gameiro e Mário Rainha Campos
21 Maio (Dom) 10:3
25 Junho (Dom) 10:30
24 Setembro (Dom) 10:30
15 Outubro (Dom) 10:30
[Marcações tel. 21 782 3477]