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A Constituição da Colecção
Exposições de Artes Plásticas
Desde o final dos anos 50, nomeadamente através das actividades desenvolvidas pelo seu Serviço de Belas-Artes, a Fundação Calouste Gulbenkian adquiriu, por compra ou doação dos muitos bolseiros e artistas apoiados, numerosas obras de arte portuguesa. Foi igualmente responsável pela organização de três grandes exposições de artes plásticas, a primeira das quais realizada em Dezembro de 1957, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, e que, nas palavras de José Sommer Ribeiro, muito contribuiu para alterar o meio artístico português, abrindo finalmente em Portugal as portas da arte moderna. Além dos objectivos evidentes – de dar a conhecer, promover e premiar os melhores trabalhos então realizados –, esta exposição possibilitava aos dirigentes da Fundação Calouste Gulbenkian e seus colaboradores obterem uma panorâmica do estado das artes plásticas em Portugal. A segunda destas exposições foi realizada em Dezembro de 1961, tendo-se incluído a Arquitectura e alargado a participação a “todas as formas e meios de expressão em Arte”, o que provocou um grande aumento do número de obras a seleccionar. Finalmente, a terceira e última destas exposições realizou-se em Julho de 1986, por ocasião do 30.º aniversário da Fundação Calouste Gulbenkian, sendo o hiato temporal explicado pelo aumento, desde finais da década de 60, de iniciativas de âmbito nacional promovidas por outras instituições, pelo que a Fundação teria decidido dar prioridade à arte estrangeira. Esta terceira exposição contemplava novas modalidades no campo das artes plásticas, como “Objectos” e “Instalações”, a “Fotografia” e o “Vídeo”, e as obras apresentadas deveriam ser posteriores a 1980, “data mundialmente reconhecida como um significativo marco de viragem da Pintura e Escultura”. Importa reter que um número considerável de obras apresentadas nestas exposições integrou a colecção do CAM.
Compras, Doações, Depósitos
A compra de numerosas obras pertencentes à importante colecção particular do banqueiro Jorge de Brito permitiu aproximar a colecção de um panorama fiel do que foi a arte portuguesa de 1910 em diante, colmatando lacunas graves. São igualmente de assinalar numerosas doações efectuadas por artistas, seus familiares e por coleccionadores, em especial as de Sonia Delaunay, de Lúcia de Souza-Cardoso, viúva de Amadeo de Souza-Cardoso, de Maria Helena Vieira da Silva, e de seu marido, o pintor húngaro Arpad Szenes, do escultor espanhol Pablo Gargallo, do coleccionador Jorge de Brito e dos pais do pintor António Areal. Alguns artistas e coleccionadores, como Lourdes Castro ou José Pedro Paço d’Arcos, não querendo desfazer-se das suas obras, prontificaram-se a depositá-las no Centro. Este foi ainda o caso da escultura de Henry Moore, que durante quinze anos esteve no jardim, em frente do corredor de janelas do piso 00 do CAM, num depósito contratualmente acordado com a Fundação Henry Moore, em Leeds – esta escultura tinha ficado em Lisboa na sequência de uma importante exposição organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian sobre a obra do escultor britânico. Mais recentemente, o núcleo de doações foi aumentado com a doação de vários trabalhos e de documentação variada de Ruy Leitão, oferecidos por familiares e por amigos do pintor , e ainda com a doação de várias obras de Fernando Calhau pela viúva do artista. Deste modo, foi sendo constituído o acervo do CAMJAP: uma colecção que permite uma visão global da actividade artística em Portugal ao longo do século XX e até ao presente. Desde 1983, procurou-se acompanhar a produção mais marcante, através da aquisição de obras de artistas que protagonizaram estas últimas décadas, sem se deixar por isso de continuar a tentar colmatar as falhas que vão sendo reveladas pelo estudo e exposição da colecção. A realização de várias exposições temporárias, nomeadamente a série intitulada 7 Artistas ao 10.º Mês (edição bienal, desde 1997) procura seguir e dar a conhecer a produção de jovens artistas nacionais. Para além da arte portuguesa, existem igualmente alguns núcleos de arte internacional na colecção do CAMJAP.
Relações dos nossos Artistas com Artistas Estrangeiros
Por um lado, e de acordo com directivas programáticas esboçadas anteriormente à criação do CAM, existe um grupo de obras de artistas que tiveram relações próximas ou foram importante influência para os seus colegas portugueses, tais como Sonia e Robert Delaunay relativamente aos pintores Amadeo de Souza-Cardoso e Eduardo Viana, ou como Fernand Léger, Roger Bissière, Pierre Soulages, Joaquín Torres García, que se relacionaram com Maria Helena Vieira da Silva, e com o seu marido, o pintor húngaro Arpad Szenes, ou ainda como o pintor brasileiro Cândido Portinari.
Relativamente a este primeiro grupo de presenças internacionais é referida, desde a criação do CAM, a ausência de uma obra de Amadeo Modigliani, que foi amigo de Amadeo de Souza-Cardoso e com quem este expôs em 1911. Um segundo conjunto de obras, em que se destaca um grande número de gravuras, foi adquirido ou recebido por doação aquando da realização de exposições individuais ou colectivas de artistas estrangeiros.
O Núcleo Britânico
Um terceiro conjunto é na realidade uma importante colecção de obras de arte britânicas, adquiridas desde 1959 até ao presente, se bem que o seu núcleo principal tenha sido reunido na sequência de duas dotações orçamentais, feitas em 1959 e 1964 pela Fundação Calouste Gulbenkian ao British Council, instituição responsável pela aquisição de um significativo número de obras de artistas britânicos então muito jovens. Este núcleo foi continuado, de forma desigual, por compradores nomeados pela Delegação de Londres da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1968 e 1970, e desde 1985 até ao presente, contando ainda com algumas obras adquiridas directamente pelo CAM, como é o caso da escultura de Antony Gormley, adquirida em 1995, ou da fotografia de Gilbert & George, incorporada na sequência da exposição A Ilha do Tesouro, realizada em 1997. Nesta se apresentou uma parte significativa desta colecção, acrescida de obras emprestadas que a complementavam, criando-se deste modo, uma espécie de colecção ideal de arte britânica para os últimos quarenta anos do século XX.
O Núcleo Arménio
Finalmente, um último conjunto de obras internacionais documenta o trabalho de vários artistas arménios, entre os quais se destaca a presença de Arshile Gorky, de quem o CAM possui três obras (dois desenhos e uma pintura), sendo ainda o depositário de um significativo conjunto de pinturas, desenhos e três pequenas esculturas de sua autoria, que pertenceram ao seu sobrinho Karlen Mooradian e são actualmente propriedade da Diocese da Igreja Arménia da América (Oriental).
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