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CAMJAP
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História
 
 
 
   
   
 
   

A criação do CAMJAP

"A arte – e Gulbenkian sabia-o muito bem – não é produto estável da criação do Homem; antes a história nos ensina que é uma actividade em constante evolução ou transformação e nisso está um dos motivos do seu grande interesse."

José de Azeredo Perdigão, no discurso de inauguração do CAM em 1983


Criar um Museu de Arte Moderna

Criada em 1956, a Fundação Calouste Gulbenkian tem tido uma importante acção no campo das artes plásticas em Portugal, implementando vários programas de estudo no estrangeiro, que deram a inúmeros artistas portugueses a abertura necessária ao desenvolvimento dos seus trabalhos. Desde essa data, organizou exposições, conferências, cursos, editou livros de arte, pondo o público em contacto com a arte moderna nacional e internacional. O apoio aos artistas, através da aquisição de obras, da concessão de bolsas de estudo e de subsídios de viagem, foi fundamental para permitir o contacto dos criadores portugueses com os meios artísticos mais avançados.
Durante cerca de vinte e cinco anos, a Fundação Calouste Gulbenkian foi o grande centro cultural de Lisboa – entre 1970 e 1984, ter-se-ão realizado mais de 450 exposições, visitadas por cerca de três milhões de pessoas.
O Museu Gulbenkian, instituído por testamento de Calouste Sarkis Gulbenkian e inaugurado em 1969, apresenta as colecções de arte adquiridas pelo fundador da instituição. O Centro de Arte Moderna surgirá da necessidade que se fez sentir de criar um outro museu, destinado a expor e a conservar as obras de arte que a Fundação Calouste Gulbenkian adquirisse, em resultado da sua intensa acção no domínio artístico.


O projecto para o CAM

Em 1977, o Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian encarregou o Serviço de Exposições e Museografia, então dirigido pelo Arqt.º José Sommer Ribeiro, de estudar um programa e uma localização para um Museu/Centro de Arte Moderna. Foi consultado o arquitecto britânico Sir Leslie Martin, Vista parcial da fachada do CAMJAPque em conjunto com uma equipa portuguesa, elaborou o projecto definitivo. Foi unanimemente deliberado em Conselho de Administração, em 22 de Agosto de 1979, que a Fundação deveria “construir, equipar e manter, com fins essencialmente pedagógicos e de animação cultural, um Centro de pesquisa e divulgação nos domínios da Arte Moderna. Este Centro (...) terá por base uma exposição permanente das obras, propriedade da Fundação ou que esta venha a adquirir a título oneroso ou gratuito, e organizará exposições temporárias de outras obras de artistas nacionais ou estrangeiros ou pertencentes a coleccionadores particulares que, para o efeito, as queiram ceder em regime de empréstimo.”

 

O edifício

O novo edifício foi inaugurado em 1983, com a designação de Centro de Arte Moderna, e o Arqt.º José Sommer Ribeiro foi nomeado seu Director.
O CAM foi o primeiro espaço de exposição permanente de arte moderna e contemporânea existente em Portugal, e, à semelhança e na continuidade do que a Fundação Calouste Gulbenkian Vista da fachada principal do edifício do CAMJAPvinha fazendo há inúmeros anos, desenvolveu ainda uma intensa programação de exposições temporárias. Para a realização deste vasto programa, dispunha de três áreas expositivas, com um total de 3400 m2, e de um importante espaço para reservas, fundamental numa colecção em constante crescimento, dividido em três áreas: as “reservas visitáveis”, equipadas com 78 painéis deslizantes de rede, com 18 m2 cada; as “reservas não visitáveis”, com 760 m2, destinadas a materiais diversos (escultura, objectos, obras sobre papel, grandes formatos emoldurados); e um espaço de 800 m2, para armazenamento de materiais de exposição, equipamento eléctrico, embalagens, etc. De igual modo, o arranjo paisagístico do Parque reunia condições excepcionais para a exposição de escultura ao ar livre.

A implantação do edifício do CAM no jardim foi objecto de acesa polémica, de debates na Assembleia da República, de inúmeros títulos de jornal e até de campanhas de secções de ecologia, que se encontram fotograficamente documentadas.
No dia da inauguração, a 20 de Julho de 1983, o Presidente da Fundação, Dr. José de Azeredo Perdigão eVista do jardim Gulbenkian o director do CAM, Arq. José Sommer Ribeiro referem-se, nos seus discursos, às etapas e dificuldades na concretização do Museu, à satisfação com que verificam ter conseguido a melhor solução de entre as possíveis e à valorização do próprio jardim que com ela se obtinha.


Educação e animação

Em 1984 foi criado o ACARTE sob a direcção da Dra. Maria Madalena de Azeredo Perdigão. Concebido como um “Serviço voltado para a cultura contemporânea e actividades artísticas de vanguarda, deveria promover projectos multidisciplinares na área do teatro, música, dança, poesia, cinema e vídeo, favorecendo a inovação, a experimentação, a pesquisa e o desenvolvimento da criatividade.
O  CAI (Centro Artístico Infantil) foi criado como departamento do ACARTE, sob a direcção da Dra. Natália Pais, com o objectivo de desenvolver um programa no âmbito da educação estética e da pedagogia ou expressão artística, através de actividades sensibilizadoras e/ou formativas, tanto para crianças como para adultos. Em 1994 foi transferido para o Serviço de Educação para regressar ao CAMJAP em 1999.
Em 1987 é criado no ACARTE o Atelier de Cinema de Animação, sob a coordenação de José Pedro Cavalheiro, produzindo inúmeros filmes de autor. Em 1993 o Atelier passa a depender do Serviço de Educação e a designar-se Centro de Imagem e Técnicas Narrativas. Alarga o âmbito de formação à Banda Desenhada, Ilustração, Teatro de Sombras e Argumento. Em 2000 regressa ao CAMJAP, potenciando a sua actividade, sempre sob a orientação de José Pedro Cavalheiro e Fernando Galrito.
O ACARTE será extinto em 2002, tendo sido mantidos o Jazz em Agosto e o Prémio Maria Madalena de Azeredo Perdigão, de entre todas as iniciativas que dele dependiam. O CAI será absorvido no novo SECTOR DE EDUCAÇÃO criado no mesmo ano.

 

Directores

Em 1993, após a morte do primeiro Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, e por deliberação do Conselho de Administração, o Centro tomou o nome do seu principal impulsionador e passou a chamar-se Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. Em 1994, por aposentação do Arqt.º José Sommer Ribeiro, foi nomeado Director o Dr. Jorge Molder.