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5 - 13 Agosto 2005
Lisboa

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O jazz é hoje - na nova era digital - civilizacional, fragmentado, fractal, contaminado, caleidoscópico e, sobretudo, desprovido de preconceitos, o que nos obriga a instituir um novo olhar sobre ele, requerendo novos suportes para a sua análise: a compreensão da sua 7dcab03c-62ad-4417-9ffc-ae2ba0c7be90.jpgHistória nos planos musicológicos, sociais, políticos e económicos. Assim como, a uma melhor compreensão do jazz de hoje – a essência do JAZZ EM AGOSTO – concorrerá a disponibilidade de horizontes estéticos dos seus frequentadores que têm justificado plenamente sucessivas edições desde 1984.

O JAZZ EM AGOSTO 2005 apresentou uma oferta alargada de 17 concertos, continuando a oferecer ao seu público exemplos escolhidos da riqueza do jazz de hoje, música urbana de um século que não cessa de se transformar – com frequência a ponto de provocar clivagens de apreciação mas, sempre, na sua extraordinária diversidade, capaz de suscitar a atenção e o enlevo das gerações que se vão sucedendo e, ao contrário do que se possa pensar, unificando essas gerações de amadores e praticantes, 62358568-398b-44ab-90b3-cfefc4e1cb1e.jpgtambém na sua própria diversidade de gostos, ampliando o seu número.
Cumprindo um itinerário geográfico de centros eruptivos, um dos seus atributos, o JAZZ EM AGOSTO 2005 salienta duas gerações de músicos de Berlim, através de duas grandes formações não convencionais (Globe Unity Orchestra e Gebhard Ullmann’s Tà Lam Zehn)e, em extensão, um trio perene (Schlippenbach/Parker/Lovens). Assinala o 100º Aniversário como nação independente da Noruega (Atomic e Jaga Jazzist) reflectindo a cena prolífera de Oslo. Retorna ao labirinto musical de Nova Iorque com quatro projectos diversificados (Eric Friedlander, Mephista, Mark Dresser Trio, Fast’n’Bulbous). Foca em Portugal duas concepções diametralmente opostas (Jorge Lima Barreto, Raum). Revela a urgência da actividade criativa 8bcc2611-50fd-436a-ba40-65bcadc3882f.jpgda Suíça (Irène Scheiwer/Pierre Favre, Koch/Schütz/Studer). Apresenta em estreia mundial um trio atípico de trompetes (Cappozzo/Dörner/Robertson) e conjuga, novamente, em modo atípico, um trio da Dinamarca com um quarteto de cordas de França (Sound Choice+IXI String Quartet). Transporta para uma urgente visibilidade um baterista histórico (Jerry Granelli’s V 16 Project) assim como um duo hegemónico de França (Foltz/Chevillon).


PROGRAMA

5 (sex) – 21:30
Anfiteatro ao Ar Livre

GLOBE UNITY ORCHESTRA (Alemanha/Reino Unido)
Manfred Schoof (trompete), Jean Luc Cappozzo (trompete), Evan Parker (saxofone tenor, soprano), Gerd Dudek (sax tenor, clarinete), Ernst Ludwig Petrowsky (sax tenor, sax alto, clarinete), Rudi Mahall (clarinete baixo), Paul Rutherford (trombone), Johannes Bauer (trombone), Alexander von Schlippenbach (piano), Paul Lytton (bateria), Paul Lovens (bateria).

Fundada por Alexander v. Schlippenbach, em 1966, a GUO existiu até 1986 e, desde logo, foi considerada como um farol europeu, mesmo mundial, no sentido mais consumado da improvisação no campo orquestral do jazz em paridade da Sun Ra Arkestra, a Celestrial Comunication Orch. de Alan Silva e a Experimental Band de Muhal Richard Abrams. Reincarnada em 2002 no seu espírito mais puro de cooperativa de solistas e numa formação onde se reconhecem vários dos seus fundadores, a GUO regressa à Fundação Calouste Gulbenkian onde se apresentou em 1979 (Encontros de Música Contemporânea), numa bem sustentada expectativa.

6 (sáb) – 15:30
Sala Polivalente CAMJAP

7cfcc9a5-907a-4067-978f-c0d85d17a0c9.jpgJEAN-MARC FOLTZ/BRUNO CHEVILLON (França)
Jean Marc Foltz (clarinete baixo, clarinete), Bruno Chevillon (contrabaixo).

Estreado no Festival Jazz D’Or de Estrasburgo 2003, este Duo é o exemplo de uma extraordinária interacção por dois músicos de excepção que, envolvidos noutros projectos alargados, descobrem afinidades num campo de musicalidade fora das normas. Na rica paisagem do jazz de França, os seus instrumentos, contrabaixo e clarinete, tal como os seus manipuladores, revelam também uma hegemonia sem concorrência.

6
(sáb) – 18:30

Grande Auditório

ALEXANDER von SCHLIPPENBACH/EVAN PARKER/PAUL LOVENS (Reino Unido/Alemanha)
Alexander von Schlippenbach (piano), Evan Parker (sax soprano, sax tenor), Paul Lovens (bateria).

O Alexander v. Schlippenbach Trio existe há 35 anos, continuando a exibir as cumplicidades e osmoses adquiridas na sua extensa prática. Projectando um raro equilíbrio de tensão/distensão, a trindade prima pela audácia e pelo imprevisível, desafiando com eloquência o seu tempo de vida de quase quatro décadas.

6 (sáb) – 21:30
Anfiteatro ao Ar Livre

GEBHARD ULLMANN’s TA LAM ZEHN   (Alemanha)
Hinrich Beermann (sax barítono), Daniel Erdmann (sax soprano, sax tenor), Thomas Klemm (sax tenor, flauta), Jürgen Kupke (clarinete), Joachim Litty (sax alto, clarinete baixo), Michael Thieke (clarinete baixo, sax soprano), Heiner Reinhardt (clarinete baixo), Volker Schlott (sax alto, sax soprano), Gebhard Ullmann (clarinete baixo, sax soprano, flauta), Hans Hassler (acordeão).

Um projecto especial do polinstrumentista Gebhard Ullmann iniciado em 1990 e idealizado como um caderno de viagens sem sentimentalismo nem nostalgia, antes no sentido de uma floresta luxuriante comprimida por uma paisagem industrial e onde, o individualismo das vozes que o constituem, demonstram vitalidade, profundezas e perspectivas do que pode não ser imediatamente visível.

7 (dom) – 15:30
Sala Polivalente CAMJAP

JEAN LUC CAPPOZZO/AXEL DÖRNER/HERB ROBERTSON (França/Alemanha/EUA)
Jean Luc Cappozzo (trompete), Axel Dörner (trompete), Herb Robertson (trompete).

Um trio de trompetes, que constitui uma estreia mundial e uma associação instrumental rara, unicamente possível a solistas de alto gabarito. Gera-se assim, uma vez mais, a expectativa de assistir-se ao que poderá ser uma confrontação, mas também a um encontro harmonioso de três instrumentistas dotados de universos autónomos.

7 (dom) – 18:30
Grande Auditório

3f171cc3-c623-4200-9cd3-d415ab6edc5e.jpgIRÈNE SCHWEIZER/PIERRE FAVRE (Suíça)
Irène Schweizer (piano), Pierre Favre (bateria).

Uma amizade musical continuada de 35 anos é o que fundamenta este duo de músicos consagrados nos caminhos inovadores do jazz da Europa, no qual se manifesta uma arte da espontaneidade de composição que não exclui a bagagem comum do jazz. Memórias fortes ancoradas na intimidade que deixam transparecer inventivas estruturas e tácticas glosando a abstracção mas também um certo pontilhismo. 

7
(dom) – 21:30

Anfiteatro ao Ar Livre

293a47a4-43d9-476b-80e6-fe47136b0a8f.jpgATOMIC (Noruega)
Fredrik Ljungkvist (sax tenor, clarinete), Magnus Broo (trompete), Havard Wiik (piano), Ingebrigt Haker-Flaten (bass), Paal Nilssen-Love (bateria).

Este quinteto nórdico, reunindo solistas já referenciados da Noruega e da Suécia, faz parte da fecunda constelação do jazz dos seus países, estabelecendo laços sólidos com a actual cena de Chicago onde ainda pontifica Ken Vandermark. A direcção musical, de um free bop sem fronteiras e muito comunicativo, fez-lhe conquistar o mais completo aprazimento do público e da crítica em consonância.

10 (qua) – 21:30
Anfiteatro ao Ar Livre

ffbb697e-09ac-43c7-ba8c-380ca917d465.jpgSOUND OF CHOICE + IXI STRING QUARTET (Dinamarca/França)
Invisible Correspondance
Hasse Poulsen (guitarra eléctrica), Fredrik Lundin (sax tenor, flauta, electrónica), Lars Juul (bateria, electrónica), Regis Huby (violino), Iréne Lecoq (violino), Guillaume Roy (viola), Alain Grange (violoncelo).

Revelação no Festival Banlieues Bleues 2004 de Paris, esta associação de um Trio da Dinamarca com um Quarteto de cordas de França pouco ortodoxo e constituído por improvisadores de grande mérito assume novas possibilidades e, no seu caso, efectivas concretizações de junção de universos aparentemente antagónicos, concedendo generosos espaços de intervenção aos seus solistas e nunca traindo um espírito colectivo de grande poder.

11 (qui) – 15:30
Sala Polivalente CAMJAP

RAUM (Portugal)
Sete Pecados Mortais
Direcção Paulo Dias Duarte
Paulo D.Duarte (guitarra eléctrica), Eduardo Lála (trombone), Mário Franco (contrabaixo), José Meneses (sax tenor, sax soprano), João Lencastre (bateria), Nuno Gonçalves (clarinete baixo), Gonçalo Conceição (clarinete), Manuel Luís Cochofel (flauta), Fausto Ferreira (piano).

De continuação intermitente, este Noneto existe há quatro anos, tendo surgido com notabilidade em escolhidas apresentações. Ressurgindo com uma renovada constituição, veículo da inspiração do seu mentor que não se reclama de músico/compositor inteiro de jazz, antes mais vocacionado para técnicas e estéticas que derivam do mundo da música ocidental que gosta, no entanto, de transgredir. 

11
(qui) – 18:30

Grande Auditório

6bbb0fbd-88c8-403f-a259-5ab881386a61.jpgMARK DRESSER/DENMAN MARONEY/MICHAEL SARIN (EUA)
Mark Dresser (contrabaixo), Denman Maroney (piano), Michael Sarin (bateria).

Um superlativo Trio de três superlativos músicos que têm deixado impressões fortes nos múltiplos caminhos do jazz actual a que individualmente têm estado ligados como motores ou como parceiros. O tandem Dresser/Maroney é aqui enriquecido com bateria – em alternância à flauta (Mathias Ziegler) – fornecendo novos modelos em expansão da gramática, da sintaxe e do fraseado do jazz.

11
(qui) – 21:30

Anfiteatro ao Ar Livre

acaa4920-071c-42bf-a773-72bfbdabfa79.jpgJERRY GRANELLI’s V16 PROJECT (Canadá, EUA, Alemanha)
Jerry Granelli (bateria, electrónica), J.D. Granelli (baixo eléctrico, contrabaixo), Christian Kögel (guitarra eléctrica e acústica, sampler), Kai Bruckner (guitarra eléctrica e acústica, sampler).

Baterista, que urge reconhecer à mais alta escala, J. Granelli já enriqueceu a História do jazz pelos seus processos conceptuais, composicionais e de técnica materializados quer em pequenas quer em alargadas  formações (Badlands e Sandhills Reunion). Este projecto data da sua recente e prolongada estada em Berlim, fazendo apelo a um universo mais musculado, excitante na sua pluralidade de direcções e na sua organização instrumental.

12
(sex) – 15:30
Sala Polivalente CAMJAP

c351d9ef-2f76-4e0b-a083-d344d5f6ab65.jpgJORGE LIMA BARRETO (Portugal)
Sintagmas do Jazz
(piano solo e rádio ondas curtas)

Em solo de piano (teclas e cordas, intermitência de objectos) e rádio sintonizado em ondas curtas, em improvisação total, J.L. Barreto sintetiza a História do jazz no seu actual situacionismo pós-modernista, que também pode formular-se por contiguidades que são os sintagmas – lapsos melódicos, opções métricas variáveis, enunciados temáticos rizomaticos, texturas tímbricas expressivas, etc., marcando o ideoleto e a desconstrução num processo acção/performance.

12 (sex) – 18:30
Grande Auditório

fdb4f5c8-8dea-4840-827b-d5987ac8a303.jpgHANS KOCH/MARTIN SCHÜTZ/FREDY STUDER (Suíça)
Hardcore Chamber Music
Hans Koch (clarinete, clarinete baixo, clarinete alto, sampling, electrónica), Martin Schütz (violoncelo eléctrico de 5 cordas, violoncelo acústico), Fredy Studer (bateria, percussão).

O projecto Hard Core Chambermusic destes três músicos da Suíça, em constante mutação, notáveis nas suas propostas radicais, contempla toda a espécie de contaminações questionando a obra de arte como uma criança que renasce ao longo das épocas, fruto do seu tempo. Exímios instrumentistas acústicos, Koch, Schüz e Studer, estabelecem com a electrónica uma fecunda relação de amor-ódio que nunca se repete.

12
(sex) – 21:30

Anfiteatro ao Ar Livre

WIBUTEE (Noruega)
Haakon Kornstad (saxofone), Wetle Holte (bateria + electrónica), Marius Reksjo (contrabaixo), Rune Brondbo (sampling, electrónica).

Da Noruega, laboratório de experiências onde a nova electrónica encontra o jazz, este quarteto fundado em 1996 explora climas sobrepostos onde predomina o som acústico do saxofone e do contrabaixo enquadrados num melting pot de rítmicas hipnóticas e/ou frenéticas. Inventividade, calor, experimentação mas também acessibilidade e simbiose de géneros é o que caracteriza este grupo, no seu género, primum inter pares.

13 (sab) – 15:30
Sala Polivalente CAMJAP

30af3d4a-364e-4854-b472-420ed59a2ea5.jpgERIK FRIEDLANDER (EUA)
Maldoror (violoncelo solo)

Dez improvisações inspiradas nos poemas surrealistas de Lautréamont (1846-70) são a base deste solo de violoncelo de um músico conhecido pela sua actividade em Nova Iorque na órbita de John Zorn e em projectos pessoais e que não se circunscreve a géneros, deambulando como compositor e improvisador na música clássica e no jazz. A sua abordagem é intensa, mística e exploratória, fazendo brilhar o virtuosismo do instrumentista e a sua poderosa compreensão em exorcizar imagens pouco habituais na mente dos leitores. 

13
(sab) – 18:30

Grande Auditório

8bcc2611-50fd-436a-ba40-65bcadc3882f.jpgMEPHISTA – SYLVIE COURVOISIER/IKUE MORI/SUSIE IBARRA (Suíça/Japão/EUA)
Sylvie Courvoisier (piano), Ikue Mori (electrónica), Susie Ibarra (bateria).

O piano colorido de S. Courvoisier, a fluência em laptop de Ikue Mori e a dinâmica rítmica de S.Ibarra fazem deste trio feminino um dos mais interessantes e espectaculares novos grupos da cena nova-iorquina, demonstrando sem mácula  um entrosamento de conceitos avulso, coração, fogo, intelecto, que as próprias obreiras designam, com alguma provocação, por reflexões entomológicas

13
(sab) – 21:30

Anfiteatro ao Ar Livre

2505d570-2e44-4301-ab0b-4217d1c4389e.jpgFAST’N’BULBOUS 
The Captain Beefheart Project
Featuring Gary Lucas, arranged and conducted by Phillip Johnston
(EUA)
Gary Lucas (guitarra eléctrica), Richard Dworkin (bateria), Phillip Johnston (sax alto), Rob Henke (trompete), Joe Fiedler (trombone), Dave Sewelson (sax baritono), Jesse Krakow (contrabaixo).

O universo de um dos ícones do rock, Captain Beefheart, aliás Don van Vliet, ainda vivo mas retirado, inspira o saxofonista nova-iorquino P. Jonhston a conceder novas versões instrumentais às canções do mítico album Trout Mask Replica de Beefheart e da sua Magic Band, constante no léxico de obras primas do rock de todos os tempos. O guitarrista G. Lucas, membro original de formações da M. Band na sua fase crepuscular há 20 anos, reacende o fogo genuíno mantido por um ensemble de músicos primorosos cujo rigor surpreende no melhor sentido, encerrando o JAZZ EM AGOSTO 2005.