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Paulo BRIGHENTI (1968)
Integrando-se na mais jovem geração de artistas plásticos portugueses, Paulo Brighenti (nascido em Lisboa, em 1968) tem o curso avançado de Artes Plásticas do Ar.Co.
Em 1996, um ano após a mostra de bolseiros e finalistas do Ar.Co, realizou a sua primeira exposição colectiva no CAMJAP – 7 Artistas ao 10.º Mês –, tendo então exposto conjuntamente com alguns dos artistas com quem tem vindo a desenvolver experiências conjuntas, tanto a nível da pintura como do desenho (Os Últimos Dias, Lisboa, CAMJAP, 2000; Uma Jornada, Funchal, Porta 33, 2001; Guardi. A Arte da Memória, CCB, 2003).
Individualmente, começou por expor na Galeria Paula Fampa em Braga (1997), tendo-se seguido uma mostra na Galeria Pedro Cera (Lisboa, 1998) e, em Londres, na Faprojects (2001).
Os primeiros trabalhos públicos do artista, mostrados em 1995 e em 1996 nas exposições de bolseiros e finalistas do Ar.Co, incluíam um vídeo, uma instalação e desenhos de representações volumétricas tridimensionais de edifícios negros. O recurso a tons sombrios, com particular destaque para os negros, cinzentos e castanhos e em que só uma observação atenta permite vislumbrar uma paleta escondida de cores vivas, viria desde então a ser uma presença marcante no percurso visual de Paulo Brighenti, com especial realce para as pinturas expostas na Galeria Pedro Cera, em 1998.
Na exposição 7 Artistas ao 10.º Mês, Brighenti optou por mostrar uma série de desenhos aguarelados em tons de azul, de pormenores de mãos, que, apesar de serem autónomos, constituíam uma peça única, apontando assim para uma linha de leitura que também tem vindo a ser aplicada.
A utilização da paisagem, como trama narrativa e objecto formal, tem sido o centro catalisador da prática do desenho e da pintura, que encontra no Maneirismo e no Barroco italianos e no Minimalismo Expressionista americano pontos de referência importantes.
As paisagens que formam o núcleo do artista na colecção do CAMJAP, óleos sobre madeira de pequenas dimensões, tiveram como ponto de partida polaroids que, num primeiro momento, inspiraram cartões a tinta-da-china e, posteriormente, desenhos a carvão. Encontramo-nos assim face a um processo de construção progressivo, com utilização de diferentes meios para atingir um único fim: o da representação da paisagem através da história da própria pintura. Porém, a reminiscência de uma fase inicial, feita a partir de um conjunto de fotografias, como se de um álbum (ou mosaico) se tratasse, permanece na leitura da obra que, ainda que composta por fragmentos, adquire a sua plena legibilidade quando lida como um todo.
ALEXANDRE CONEFREY
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