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Eduardo NERY (1938)
Nasceu a 2 de Setembro de 1938, na Figueira da Foz. Veio para Lisboa com um ano de idade e formou-se em Pintura na ESBAL.
Em 1959, viajou até Paris com o seu amigo e colega, Rafael Calado, onde visitaram inúmeros museus e galerias de arte. A pintura dos gestualistas, Soulages e Hartung, influenciou o artista, e o resultado foi apresentado no ano seguinte numa exposição colectiva na galeria do Diário de Notícias: paisagens cósmicas que desenvolveu até 1965. Recentemente retomou o gestualismo inicial em exposições realizadas no Palácio Galveias (2001), em Macau e em Pequim (2002), com trabalhos a preto e branco; e na Galeria Valbom (2003), com uma individual de pintura.
Da exposição na galeria do Diário de Notícias resultou um convite para estagiar em Saint-Céré, junto de Jean Lurçat, responsável pela renovação da tapeçaria contemporânea. Essa aprendizagem levou-o a uma carreira internacional no domínio da tapeçaria, tendo estado presente nas 2.ª, 3.ª e 4.ª Bienais Internacionais de Tapeçaria, em Lausana (1965/67/69) e, posteriormente, nos Estados Unidos.
Nery conjugou os conhecimentos daquela arte têxtil com a Op Art, revelando-nos um trabalho inovador, de um cromatismo vibrante e jogos cinéticos, que continuaria a explorar não só na tapeçaria, como também no azulejo, no vitral, no mosaico e no desenho de grandes pavimentos, mantendo-se essa pesquisa subjacente em quase toda a sua vasta obra de arte pública.
Realizou a sua primeira exposição individual em 1964, na SNBA, e, nos anos seguintes, participou em diversas mostras individuais e colectivas em Portugal e no estrangeiro.
Dois anos mais tarde, em 1966, começou a projectar a fachada da fábrica da Sociedade Central de Cervejas, em Vialonga, e pavimentos no interior.
Em 1969, com a exposição na Galeria Buchholz, Nery deu por concluída a sua pesquisa no domínio da Op Art, a nível de pintura de cavalete, iniciada quatro anos antes.
Na primeira metade dos anos 70, o seu trabalho ganha muita coerência com a temática arquitectónica, verificando-se um enorme rigor de perspectiva, uma luminosidade intensa e um cromatismo penetrante. Estas suas obras foram apelidadas pelos críticos de arte como pintura metafísica. Neste período, e durante dois anos, foi também professor da disciplina de Desenho, Cor e Texturas no IADE, e em 1973 foi um dos fundadores do Ar.Co. Entre 1970 e 1973, expôs na Galeria Buchholz, na Galeria Zen, na Galeria 111, e ainda com Noronha da Costa no Centro Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris.
Depois do 25 de Abril, apresentou as suas colagens da série O Museu Imaginário na Sociedade de Consumo, na SNBA (1975), no Museu Nacional de Arte Antiga e no Museu Nacional Soares dos Reis (1976), obras que lhe valeram vários prémios em exposições colectivas em Itália e em Espanha.
No final da década de 70, começou a sua fase de paisagismo abstracto, de sentido cósmico, em tinta spray, e a expor também fotografia, na Galeria Quadrum (1979), pesquisa que interrompeu após a sua exposição em 1987 no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Estas pinturas e fotografias, feitas em simultâneo nos anos 80, foram mostradas individualmente, primeiro em Lisboa e no Porto e, depois, em San Diego, em Washington e noutras cidades da Califórnia (1983-1985). Retomou a fotografia a preto e branco em 2002, sob temática de arte africana (Centro Cultural de Cascais e SNBA).
Porém, a partir dos anos 80 em diante, dedicou-se sobretudo à intervenção como artista plástico na arquitectura e no espaço urbano, mostrada em 1997 na sua retrospectiva na Fundação Calouste Gulbenkian, em simultâneo com outra na Culturgest, de pintura, desenho, colagem e fotografia. Em 2003, o Museu Nacional do Azulejo, em parceria com o Museu da Água, organizou uma outra retrospectiva nos domínios do azulejo, do mosaico, do vitral e da tapeçaria, para ser mostrada no ano seguinte no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto.
A sua obra no domínio do azulejo tornou-o conhecido internacionalmente, encontrando-se representada no Everson Museum of Ceramic Art (Syracuse, Nova Iorque), no Taipei Fine Arts Museum (Taiwan) e no The George R. Gardiner Museum of Ceramic Art (Toronto). Em Lisboa, recebeu o “Prémio Jorge Colaço” de Azulejaria em 1987, 1991, 1992 e 1995, respectivamente com as obras existentes no Museu da Água, na sede do Banco BNC, na estação do Campo Grande do Metropolitano de Lisboa, e ainda na sede da Associação Nacional das Farmácias. Executou o painel do Aeroporto de Macau, inaugurado em Dezembro de 1995, que mereceu o “Prémio Bordalo da Imprensa”.
MARIA ALMEIDA LIMA
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