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CAMJAP
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João Galrão,#38, 2003,acrílico sobre tela e estrutura de contraplacado marítimo,132 x 132 x 19 cm,inv.n.: 03P1256 Click nas imagens para ampliar
 
Selecção de Artistas
 
 
 
   
   
 
   

João GALRÃO (1975)

Nasceu em Sintra, em 1975. Em 1996, concluiu o Curso de Conservação e Restauro do Património Edificado na EPRP de Sintra e, em 2001, o Curso Avançado de Artes Plásticas do Ar.Co, Lisboa. Expõe em colectivas desde 1996. De entre elas, destaque-se a sua participação em RAM (Lisboa, 1997), a par de vários jovens artistas, e em Greenspaces (Estufa Fria de Lisboa, 2000), com um trabalho com Armanda Duarte. As três exposições individuais que constam do seu currículo foram realizadas em 2003.

Entre as obras expostas na Galeria Graça Brandão (Porto, 2003) estavam alguns objectos colocados no chão: uma superfície branca envolvia um esqueleto de camadas construídas em altura, com protuberâncias, bicos e perímetros curvos a esticar uma tela a partir do interior e em várias direcções. Como pequenos fantasmas ou figuras à procura de lugar e de corpo, evoluíam no espaço contendo fortes erupções no limite dos seus invólucros. A pulsação que neles se pressentia era a de organismos de aparência imaculada, mas de potencial e interior imprevisíveis.

Também os trabalhos de parede, acrílicos sobre tela em que a componente escultórica coexiste com a pictórica, são habitados por esse segredo em relação ao que está dentro e pela imaginação dele a partir do que se vê de fora.

No trabalho que integra a colecção do CAMJAP, a tela é branca como nas esculturas de chão (significativamente chamadas Presságios). O centro é liso mas, nos bordos, os feitios dados à madeira, a partir das grades, esticam-na como a um lençol agredido.

Na exposição individual referida, mostrou vários destes objectos de parede, monocromáticos, mas utilizando uma grande diversidade de cores: cinzentos, amarelo, vermelho, azul, rosa. Em alguns casos trabalhava um efeito de recorte ondulado, noutros casos o de bicos apontados, um pouco por toda a superfície, ou concentrando-os num dos lados, como se um organismo vivo procurasse uma saída.

Com alguns dípticos, criava uma comissura expressiva no encontro de dois blocos, uma depressão trabalhada como fenda cozida nalguns pontos.

Em 1998 e 1999, trabalhou com materiais como a pedra e a lã, a madeira e a tela, de formas mais claramente escultóricas e construindo objectos que evocavam ou convocavam uma relação física directa com eles: é o caso dos Play Objects (1998) ou o de uma escultura a que chamou Big Daddy (1999).

O valor das texturas ou da pele das coisas mantém-se nas obras mais recentes como um princípio activo que solicita, de quem se aproxima, curiosidade táctil e hesitação, atracção e receio – a mesma perplexidade que o vislumbre do invisível (do interior) no visível (no exterior) normalmente nos provoca.

LEONOR NAZARÉ